GT-WPDX4PK GT-WKGBG4H5
top of page
Buscar

TDAH: o que é, sintomas e tratamento. Saiba quando procurar ajuda.

Atualizado: 5 de ago.


Como saber se tenho TDAH?

Muitas pessoas se perguntam se sua dificuldade de concentração, organização ou procrastinação pode estar relacionada ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Os principais sinais incluem desatenção frequente, esquecimento de compromissos, dificuldade para concluir tarefas, impulsividade e inquietação. Para que o diagnóstico seja considerado, esses sintomas geralmente precisam estar presentes desde a infância e causar prejuízos em áreas importantes da vida, como estudos, trabalho ou relacionamentos.

É importante lembrar que ansiedade, depressão, privação de sono e outros transtornos podem causar sintomas semelhantes ao TDAH. Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas em testes ou questionários.

A avaliação deve ser realizada por um profissional qualificado, por meio de entrevista clínica detalhada, análise da história de vida e investigação de possíveis diagnósticos alternativos.


Quais os sinais de DESATENÇÃO e FALTA DE FOCO?

A desatenção manifesta-se com divagação na hora de conversar ou realizar tarefas, falta de persistência, iniciando várias atividades e abandonando-as antes de concluir, dificuldade de manter o foco naquilo que está fazendo, frequente distração com os estímulos externos do ambiente ou com os próprios pensamentos, desorganização e perda de objetos com facilidade.

Ela não é uma consequência da falta de compreensão do que deve ser dito ou feito, a pessoa não consegue fazer o que é esperado por causa da falta de foco na atenção e não pela dificuldade de aprendizagem.


Quais os sinais de HIPERATIVIDADE?

Hiperatividade refere-se a atividade motora excessiva quando não apropriado, como remexer-se muito, correr de um lado para o outro, subir e descer escadas com frequência aumentada, batucar e conversar em excesso quando não é apropriado para ambiente. Pode se manifestar também como inquietude extrema ou esgotamento do outro com sua atividade.


Quais os sinais de IMPULSIVIDADE?

Impulsividade refere-se a ações precipitadas que ocorrem no momento, sem premeditação e com elevado risco de causar danos para a pessoa. Ou seja, a pessoa age sem pensar nas consequências de seus atos. Pode ser reflexo de um desejo de recompensa imediata ou incapacidade de postergar a gratificação. Podem se manifestar com intromissões recorrentes, cortar outras pessoas quando estão falando, uso abusivo de álcool e drogas ilícitas, excesso de multas no trânsito, envolvimento em brigas e discussões e/ou tomada de decisões importantes sem considerações acerca das consequências no longo prazo.


Como é feito o diagnóstico de TDAH?

O diagnóstico do TDAH é clínico e realizado por um profissional capacitado. A avaliação inclui uma entrevista detalhada em consulta sobre os sintomas atuais, a história desde a infância e os prejuízos causados no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos e na vida diária.

Não existe exame laboratorial ou teste isolado capaz de confirmar o diagnóstico. Questionários e avaliações neuropsicológicas podem auxiliar a investigação, mas o diagnóstico final depende da avaliação clínica e da exclusão de outras condições que possam causar sintomas semelhantes.


Avaliação Neuropsicológica é necessária para o diagnóstico de TDAH?

Não. O diagnóstico do TDAH é clínico e pode ser realizado por um profissional qualificado com base na história do paciente, nos sintomas apresentados e nos prejuízos causados em diferentes áreas da vida.

A avaliação neuropsicológica não é obrigatória para o diagnóstico, mas pode ser útil em casos selecionados, especialmente quando há dúvidas diagnósticas, suspeita de outras condições associadas ou necessidade de investigar o perfil cognitivo do paciente.

Portanto, embora possa complementar a investigação, a avaliação neuropsicológica não substitui a avaliação clínica nem é indispensável para confirmar ou excluir o diagnóstico de TDAH.


Quais os sintomas do TDAH em adultos?

O TDAH em adultos pode se manifestar de formas diferentes da infância. Os sintomas mais comuns incluem dificuldade de concentração, esquecimento frequente, desorganização, procrastinação, dificuldade para gerenciar o tempo, impulsividade e sensação constante de inquietação ou mente acelerada.

Esses sintomas podem prejudicar o desempenho profissional, os estudos, as finanças e os relacionamentos. Para que o diagnóstico seja feito, é necessário que os sintomas tenham iniciado na infância e causem prejuízos significativos em diferentes áreas da vida.


Quais os sintomas de TDAH em mulheres?

O TDAH em mulheres frequentemente se apresenta de forma diferente do estereótipo clássico de hiperatividade. Muitas apresentam predominantemente sintomas de desatenção, como dificuldade de organização, esquecimento, procrastinação, distração frequente e problemas para gerenciar o tempo. Também são comuns sensação de sobrecarga, dificuldade para manter rotinas, instabilidade emocional e baixa autoestima decorrente das dificuldades acumuladas ao longo da vida. Por esse motivo, muitas mulheres recebem o diagnóstico apenas na adolescência ou na idade adulta. Como os sintomas podem ser confundidos com ansiedade, depressão ou estresse, uma avaliação clínica cuidadosa é fundamental para o diagnóstico correto.


TDAH pode aparecer na vida adulta?

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, o que significa que seus sintomas começam na infância. Portanto, segundo os critérios diagnósticos atuais, o TDAH não surge pela primeira vez na vida adulta.

No entanto, muitas pessoas só percebem ou recebem o diagnóstico na fase adulta. Isso pode acontecer porque os sintomas eram mais leves na infância, passaram despercebidos ou se tornaram mais evidentes diante das maiores demandas da vida adulta, como trabalho, faculdade e responsabilidades familiares.

Por isso, durante a avaliação diagnóstica, é fundamental investigar se já existiam sinais de desatenção, impulsividade ou hiperatividade desde a infância.


TDAH tem cura?

O TDAH não tem cura, mas possui tratamento eficaz. Com acompanhamento adequado, muitas pessoas conseguem reduzir significativamente os sintomas e melhorar o desempenho nos estudos, no trabalho, nos relacionamentos e na vida diária.

O tratamento pode incluir medicação, psicoterapia, estratégias de organização e mudanças no estilo de vida. O objetivo não é eliminar completamente o transtorno, mas minimizar seus impactos e melhorar a qualidade de vida. Cada caso deve ser avaliado individualmente para definir a melhor abordagem terapêutica.


Curiosidades sobre o TDAH:

O TDAH começa na infância e vários sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos de idade. Manifestações do transtorno devem estar presentes em mais de um ambiente, como escola, casa e trabalho. O diagnóstico preciso pode envolver a consulta de outras pessoas que tenham visto o indivíduo em tais ambientes. É comum os sintomas variarem conforme o contexto. Sinais do transtorno podem ser mínimos quando a pessoa está recebendo uma recompensa pelo comportamento apropriado, está sob supervisão, está em uma situação nova, está envolvido em situações especialmente interessantes ou está interagindo em situações individualizadas como durante uma consulta.


O que acontece se não tratar o TDAH?

O TDAH não tratado está associado ao baixo desempenho escolar e sucesso acadêmico reduzido, rejeição social, pior desempenho, sucesso e assiduidade no trabalho, maior probabilidade de desemprego, conflitos interpessoais, acidentes e violações de trânsito. A dificuldade de manter o esforço prolongado nas atividades diárias faz com que muitas vezes a pessoa seja vista como preguiçosa e irresponsável.

O TDAH não tem cura, mas possui tratamento eficaz. Com acompanhamento adequado, muitas pessoas conseguem reduzir significativamente os sintomas e melhorar o desempenho nos estudos, no trabalho, nos relacionamentos e na vida diária.

O tratamento pode incluir medicação, psicoterapia, estratégias de organização e mudanças no estilo de vida. O objetivo não é eliminar completamente o transtorno, mas minimizar seus impactos e melhorar a qualidade de vida. Cada caso deve ser avaliado individualmente para definir a melhor abordagem terapêutica.


O TDAH afeta os relacionamentos?

Sim. O TDAH pode impactar relacionamentos amorosos, familiares e profissionais. Sintomas como desatenção, esquecimento, impulsividade e dificuldade de organização podem gerar mal-entendidos, conflitos e frustrações entre as pessoas envolvidas.

Por exemplo, esquecer compromissos, interromper conversas, ter dificuldade para ouvir atentamente ou procrastinar responsabilidades pode ser interpretado como desinteresse ou falta de consideração. Além disso, a impulsividade e as dificuldades de regulação emocional podem contribuir para discussões mais frequentes.

Com diagnóstico e tratamento adequados, muitas pessoas conseguem desenvolver estratégias para reduzir esses impactos e melhorar a qualidade de seus relacionamentos.


O TDAH pode causar Compulsão Alimentar?

Essa é uma pergunta muito comum e faz sentido. Muitas pessoas com TDAH percebem uma relação difícil com a comida e acabam se perguntando se uma coisa tem a ver com a outra. A resposta curta é: pode ter relação, sim — mas não é regra.

O TDAH não causa compulsão alimentar de forma direta. Porém, algumas características do transtorno podem aumentar o risco de episódios de comer em excesso. Uma delas é a impulsividade: a pessoa come sem planejar, sem perceber a quantidade ou mesmo sem estar com fome. Outra é a busca por recompensa. Como o cérebro do TDAH tende a buscar estímulos rápidos de prazer, alimentos — especialmente doces e carboidratos — acabam funcionando como um alívio imediato.

Além disso, muitas pessoas com TDAH têm dificuldade em manter uma rotina alimentar organizada. Pulam refeições, comem em horários irregulares e, mais tarde, acabam exagerando. Some-se a isso o tédio, a ansiedade e o estresse, que são comuns no dia a dia de quem tem TDAH, e a comida pode virar uma forma de conforto.


Características associadas que apoiam o diagnóstico...

Atrasos leves no desenvolvimento linguístico, motor ou social não são específicos do TDAH, embora costumem estar presentes. As características associadas podem incluir baixa tolerância às frustrações, irritabilidade ou oscilações de humor. O desempenho nos estudos e no trabalho costuma estar prejudicado.


Como diferenciar TDAH e Transtorno de Personalidade Borderline?

O TDAH e o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem compartilhar características como impulsividade, instabilidade emocional, dificuldade de regular emoções, reações intensas e intabilidade nos relacionamentos.  Não é raro que adultos com TDAH sejam interpretados como “emocionalmente instáveis”, enquanto pessoas com TPB sejam vistas apenas como “desatentas” ou “impulsivas”. No entanto, são condições distintas.

No TDAH, os sintomas costumam começar na infância e incluem desatenção, desorganização, procrastinação, inquietação e impulsividade. As alterações emocionais geralmente são breves e desencadeadas por frustrações do dia a dia.

Já no Transtorno de Personalidade Borderline, predominam o medo intenso de abandono, relacionamentos instáveis, alterações marcantes na autoimagem, sentimentos crônicos de vazio e reações emocionais muito intensas, especialmente em contextos interpessoais.

    A diferença está no núcleo do problema. No TDAH, as dificuldades giram em torno da atenção, do controle dos impulsos e da organização, com início na infância. As emoções podem ser intensas, mas costumam ser reativas ao momento. Já no TPB, o centro do sofrimento está na instabilidade emocional profunda, no medo de abandono, na autoimagem frágil e em relacionamentos marcados por extremos.

     Outro ponto importante: os dois podem coexistir. Estudos mostram que uma parcela significativa das pessoas com TPB também apresenta TDAH, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador.


Como o TDAH se manifesta ao longo de diferentes idades e fases da vida?

Muitos pais começam a identificar sinais de hiperatividade quando a criança começa a andar, mas muitas vezes é difícil diferenciar do comportamento normal, que é muito variável antes dos 4 anos de idade. O TDAH costuma ser identificado com mais frequência no ensino fundamental, com a falta de foco ficando mais evidente e prejudicial na escola. Muitos indivíduos apresentam piora do curso na adolescência, com o desenvolvimento de comportamentos antissociais.

Na maioria das pessoas com TDAH, as manifestações de hiperatividade motora ficam menos evidentes na adolescência e na vida adulta, embora continuem as dificuldades com planejamento de suas atividades, inquietude, desatenção e impulsividade. Boa parte das crianças com TDAH permanece prejudicada na vida adulta.

Na pré-escola, a principal manifestação é a hiperatividade. A desatenção fica mais evidente no ensino fundamental. Na adolescência, sinais de hiperatividade são menos comuns, podendo limitar-se a comportamento mais irrequieto, inquietude, sensação interna de nervosismo e impaciência. Na vida adulta, além da desatenção e da inquietude, a impulsividade pode permanecer problemática.


O TDAH piora com a idade?

O TDAH não necessariamente piora com a idade, mas sua manifestação pode mudar ao longo da vida. Em muitas pessoas, a hiperatividade diminui com o passar dos anos, enquanto dificuldades de atenção, organização, gerenciamento do tempo e controle dos impulsos podem persistir.

Além disso, as demandas da vida adulta — como trabalho, estudos, finanças e responsabilidades familiares — podem tornar os sintomas mais perceptíveis e impactantes, dando a impressão de que o transtorno está piorando.


É TDAH ou Ansiedade?

O TDAH compartilha o sintoma de desatenção com os transtornos de ansiedade. Pessoas com TDAH são desatentas por causa de sua atração por estímulos externos, atividades novas ou predileção por atividades agradáveis. Isso é diferente da desatenção por preocupação e ruminação encontrada nos transtornos de ansiedade.


TDAH pode gerar Depressão ou Ansiedade?

Sim. Pessoas com TDAH apresentam maior risco de desenvolver ansiedade e depressão ao longo da vida. As dificuldades persistentes de atenção, organização, controle dos impulsos e desempenho acadêmico ou profissional podem gerar frustração, estresse crônico e impacto na autoestima.

Além disso, a ansiedade e a depressão podem coexistir com o TDAH, tornando o quadro mais complexo e exigindo uma avaliação cuidadosa para identificar todas as condições presentes.

O diagnóstico e o tratamento adequados do TDAH podem contribuir para a redução dos sintomas emocionais e para uma melhora significativa da qualidade de vida.


Depressão e Ansiedade causam TDAH?

     Depressão e Ansiedade não causam TDAH. Pessoas deprimidas e/ou ansiosas podem ter dificuldade de concentração, mas essa queixa fica mais proeminente durante o episódio depressivo e/ou ansioso. Depois que a depressão e/ou ansiedade melhoram, a concentração também deixa de causar tantos prejuízos.


Como diferenciar TDAH de um Transtorno Específico da Aprendizagem?

Pessoas com um Transtorno Específico de Aprendizagem nas áreas da linguagem ou matemática, por exemplo, podem parecer desatentas devido a frustração, falta de interesse ou capacidade limitada. A desatenção em pessoas com esse transtorno, diferente do TDAH, não acarreta prejuízos fora dos ambientes acadêmicos. O TDAH, além de gerar prejuízos nos estudos, comumente atrapalha o trabalho, os relacionamentos interpessoais, a organização da rotina e pode desencadear até problemas com a justiça.


TDAH e Autismo pode ocorrer juntos?

Sim. O TDAH e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ocorrer simultaneamente na mesma pessoa. Estudos mostram que essa associação é relativamente comum. Quando presentes em conjunto, podem existir dificuldades de atenção, impulsividade e organização típicas do TDAH, além de características do autismo, como desafios na comunicação social, interesses restritos e necessidade de maior previsibilidade na rotina.

Como há sobreposição de alguns sintomas, uma avaliação clínica cuidadosa é fundamental para identificar corretamente cada condição e planejar o tratamento mais adequado.


Como diferenciar TDAH e Autismo?

As duas condições podem acarretar desatenção, disfunção social e comportamentos difíceis de lidar. As dificuldades de socialização e a rejeição pelos colegas encontradas em pessoas com TDAH devem ser diferenciadas da falta de envolvimento social, do isolamento e da indiferença a pistas de comunicação faciais e tonalidade de voz encontrados em pessoas autistas.

Pessoas com autismo podem ter ataques de raiva devido a incapacidade de tolerar mudanças e a dificuldade de sair do seu padrão inflexível de adesão a rotinas. Pessoas com TDAH podem se comportar mal ou ter um ataque de fúria devido a impulsividade e a dificuldade de controlar seus próprios comportamentos.


Como o TDAH afeta sono?

Dificuldades com o sono são muito comuns em pessoas com TDAH. Mais do que um problema isolado, o sono ruim costuma estar diretamente ligado às características do transtorno, criando um ciclo em que dormir mal piora os sintomas do TDAH — e o TDAH, por sua vez, atrapalha ainda mais o sono.

Um dos principais fatores é a hiperatividade mental. Muitas pessoas com TDAH relatam que, ao deitar, a mente parece “não desligar”, com pensamentos acelerados, ideias aleatórias e preocupações que dificultam o início do sono. Além disso, é comum haver um atraso no ritmo biológico, fazendo com que a pessoa sinta sono mais tarde do que o esperado socialmente, o que pode gerar privação de sono nos dias de compromisso.

Outro ponto importante é o hiperfoco noturno. À noite, com menos estímulos externos, atividades como uso de celular, jogos, estudos ou séries podem prender a atenção por horas sem que a pessoa perceba o tempo passar. Somam-se a isso a agitação física e a dificuldade de relaxamento, que tornam o momento de dormir ainda mais desafiador.

Em alguns casos, a medicação estimulante usada no tratamento do TDAH também pode interferir no sono, especialmente quando o horário ou a dosagem não estão bem ajustados. Mesmo quando a quantidade de horas dormidas parece suficiente, o sono pode ser fragmentado e pouco reparador, resultando em cansaço ao longo do dia.


O que causa TDAH? Quais seus principais fatores de risco?

Crianças que nascem com muito baixo peso (menos de 1.500 gramas) tem um risco de 2 a 3 vezes maior para TDAH. Embora o TDAH esteja correlacionado a tabagismo na gestação, parte dessa associação reflete um risco genético comum. Pode haver história de abuso infantil, negligência, múltiplos lares adotivos, exposição a neurotoxinas (p. ex., chumbo), infecções (p.ex., encefalite) ou exposições ao álcool no útero.

O TDAH é frequente em parentes biológicos de primeiro grau com o transtorno. A herdabilidade genética é substancial. Padrões de interação familiar disfuncional provavelmente não causam TDAH, mas podem influenciar seu curso ou contribuir para o desenvolvimento secundário de problemas de conduta.


Qual é o melhor tratamento para o TDAH?

O melhor tratamento para o TDAH depende das características e necessidades de cada pessoa. De forma geral, a combinação de medicação, orientação psicoeducacional e estratégias comportamentais apresenta os melhores resultados.

Os medicamentos estimulantes, como metilfenidato (Ritalina) e lisdexanfetamina (Venvanse), são considerados tratamentos de primeira linha para muitos pacientes. Em alguns casos, medicamentos não estimulantes também podem ser indicados, tais como Bupropiona e Atomoxetina (Atentah).

   A escolha da medicação, pelo profissional de saúde, vai depender do perfil de sintomas e tolerância do paciente, bem como a presença ou não de comorbidades clínicas (cardiopatias, arritmias, epilepsia, hipertensão arterial, e outras) e psiquiátrica (ansiedade, tiques, e outras). Converse com seu psiquiatra sobre isso.

Além disso, intervenções como psicoterapia, organização da rotina, atividade física regular e hábitos adequados de sono podem contribuir significativamente para o controle dos sintomas e a melhora da qualidade de vida.


Como a terapia ajuda no tratamento do TDAH?

A terapia pode ser uma importante aliada no tratamento do TDAH. Ela ajuda o paciente a desenvolver estratégias para lidar com dificuldades de atenção, organização, procrastinação, impulsividade e gerenciamento do tempo.

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais estudadas para adultos com TDAH, auxiliando na criação de rotinas, definição de prioridades, regulação emocional e melhora do desempenho acadêmico, profissional e social. Embora não substitua a medicação quando esta é indicada, a terapia pode potencializar os resultados do tratamento e contribuir para uma melhor qualidade de vida.


Atividade física ajuda no tratamento do TDAH?

Sim. A prática regular de atividade física pode ajudar a reduzir sintomas do TDAH, como desatenção, impulsividade e inquietação. Além disso, exercícios físicos contribuem para melhorar o humor, a qualidade do sono, o controle do estresse e o funcionamento cognitivo.

Embora não substitua tratamentos como medicação e psicoterapia quando indicados, a atividade física é considerada uma importante estratégia complementar no manejo do TDAH e na promoção da qualidade de vida.


Como a pessoa com TDAH pode organizar sua rotina?

Pessoas com TDAH costumam ter dificuldades com planejamento, gerenciamento do tempo e organização. Algumas estratégias simples podem ajudar no dia a dia:

  • Utilize agenda, calendário ou aplicativos para registrar compromissos.

  • Divida tarefas grandes em etapas menores e mais fáceis de executar.

  • Estabeleça horários fixos para atividades importantes.

  • Use alarmes e lembretes para evitar esquecimentos.

  • Priorize poucas tarefas por vez e evite multitarefas.

  • Mantenha um ambiente de trabalho organizado e com menos distrações.

Criar rotinas consistentes e utilizar ferramentas de organização pode reduzir a sobrecarga mental e melhorar a produtividade.


O que é o Metilfenidato (Ritalina)?

Metilfenidato é um estimulante do Sistema Nervoso Central. Ele inibe a recaptação de dopamina e da noradrenalina, aumentando a concentração desses neurotransmissores na fenda sináptica. Também é um liberador de dopamina dos neurônios pré-sinápticos, mecanismo que o diferencia dos antidepressivos em termos de rapidez do início dos efeitos e de potência de ação. O seu efeito é percebido de 15 a 30 minutos após a ingestão, e seu pico plasmático ocorre em torno de 2 horas depois. Sua meia-vida é de 3 horas, mas o efeito costuma durar ao redor de 4 horas.

É uma das principais medicações usadas para o tratamento do TDAH/TDA, com o efeito dose-dependente, mas doses mais altas estão mais associadas a efeitos colaterais e interrupção do tratamento. Durante a titulação, as doses devem ser gradualmente aumentadas até que não haja mais melhora clínica do TDAH, tendo o cuidado para que os efeitos colaterais mantenham-se toleráveis. O medicamento deve ser descontinuado se não houver melhora após 1 mês de uso.

Recomenda-se administrar a última dose até as 18 horas, para evitar insônia. Na ausência desse efeito colateral, o uso da medicação deve ser feito conforme a necessidade do paciente. Em adultos não é raro ter que usar essa medicação após as 18 horas, e há estudos evidenciando que muitas vezes ocorre a melhora do sono em pacientes com TDAH.


Como funciona o Metilfenidato de liberação prolongada (Ritalina LA e Concerta)?

Formulações de liberação prolongada têm mostrado eficácia similar as do metilfenidato de liberação imediata. Essas formulações são usadas em dose única diária, o que favorece a adesão terapêutica.

O Concerta utiliza o sistema OROS, que foi desenvolvido para que uma única administração pela manhã liberasse o metilfenidato em 2 fases: uma inicial, de liberação imediata (cerca de 22% do medicamento), a partir do revestimento externo do comprimido, proporcionando rápida concentração plasmática, seguida por liberação osmoticamente controlada, a partir do núcleo do comprimido, que é lentamente liberado durante 12 horas. O comprimido de Concerta não deve ser mastigado, dividido ou amassado.

A Ritalina LA utiliza o sistema SODAS, que permite que 50% do medicamento (formulados como grânulos de liberação imediata) seja logo liberado por esse meio, fornecendo um rápido início de ação, e que os 50% restantes sejam liberados 4 horas depois da tomada, possibilitando uma única tomada diária.


Como funciona a Lisdexanfetamina (Venvanse)?

Venvanse é um pró-fármaco pertencente às classes das fenetilaminas e anfetaminas. Seu efeito terapêutico ocorre pela ação da dextroanfetamina, uma amina simpaticomimética com atividade estimulante. Seu mecanismo de ação ocorre pelo bloqueio da recaptação de noradrenalina e dopamina no neurônio pré-sináptico, estimulando a liberação dessas substâncias na sinapse.

Foi desenvolvido com o objetivo de ser um estimulante de ação prolongada com menor potencial de abuso. O mecanismo farmacocinético, por meio de hidrólise com taxa de liberação constante da molécula ativa, faz o potencial para abuso ser menor do que a administração direta da molécula ativa.

É rapidamente absorvido quando tomado por via oral e apresenta seu pico de ação em torno de 3,5 horas. Seu efeito terapêutico tem duração média de 12 horas. O Venvanse é aprovado para o tratamento de TDAH e transtorno de compulsão alimentar. Deve ser tomado 1 vez ao dia, preferencialmente pela manhã, para se obter o benefício da medicação durante o dia e evitar a possível ocorrência de insônia à noite.


Venvanse ou Ritalina: Qual o melhor?

Não existe um medicamento que seja o melhor para todas as pessoas. Tanto o Venvanse (lisdexanfetamina) quanto a Ritalina (metilfenidato) são tratamentos eficazes para o TDAH, mas a resposta varia de acordo com cada paciente.

O Venvanse costuma ter duração mais prolongada e menor variação de efeito ao longo do dia. Já a Ritalina possui diferentes apresentações, permitindo maior flexibilidade no ajuste da duração do tratamento.

A escolha deve levar em consideração fatores como idade, sintomas predominantes, duração desejada do efeito, efeitos colaterais, condições médicas associadas e resposta individual ao tratamento.

Por isso, a definição do medicamento mais adequado deve ser feita em conjunto com um médico após avaliação individualizada.


Como funciona a Atomoxetina (Atentah)?

A atomoxetina é um inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina pré-sináptico, aumentando os níveis dessa substância no córtex frontal, podendo melhorar a função cognitiva no TDAH. É uma medicação de uso contínuo, que devem ser usados diariamente e os efeitos terapeuticos surgem após 2 a 4 semanas de uso.

A atomoxetina pode ser uma opção especialmente útil para pacientes que apresentam intolerância aos estimulantes (Ritalina/Venvanse), risco de uso inadequado de medicamentos, ansiedade associada ao TDAH ou necessidade de um tratamento com efeito contínuo ao longo do dia.

A escolha do tratamento deve ser individualizada e considerar as características clínicas, os sintomas predominantes e a presença de outras condições associadas.


Remédios para TDAH causam dependência?

Quando utilizados conforme prescrição médica e acompanhamento adequado, os medicamentos para TDAH apresentam baixo risco de dependência. Os estimulantes, como metilfenidato e lisdexanfetamina, são medicamentos controlados porque possuem potencial de uso inadequado, especialmente quando utilizados sem indicação médica.

Estudos mostram que o tratamento correto do TDAH não aumenta o risco de dependência e pode até reduzir a probabilidade de problemas relacionados ao uso de álcool e outras substâncias ao longo da vida. Por isso, é fundamental utilizar a medicação apenas sob orientação médica e seguir as doses recomendadas.


Posso beber álcool durante o tratamento medicamentoso do TDAH?

O consumo de álcool durante o tratamento do TDAH merece cautela. O álcool pode interferir na eficácia dos medicamentos, aumentar o risco de efeitos colaterais e prejudicar ainda mais a atenção, o julgamento e o controle dos impulsos.

Quando associado a estimulantes, como metilfenidato ou lisdexanfetamina, o álcool pode mascarar sinais de intoxicação e favorecer comportamentos de risco. Já com medicamentos não estimulantes, como a atomoxetina, também podem ocorrer interações e aumento de efeitos adversos.

Por esse motivo, é importante conversar com o médico responsável pelo tratamento antes de consumir bebidas alcoólicas, especialmente em caso de uso regular ou em grandes quantidades.


Referências Bibliográficas:

1- Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 / American Psychiatric Association; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento... et. al.- 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

2- Psicofármacos: consulta rápida/Organizadores, Aristides Volpato Cordioli, Carolina Benedetto Gallois, Luciano Isolan. -5.ed.-Porto Alegre:Artmed,2015.

3- Cortese, S. et al. Sleep and ADHD: A systematic review of the literature. Sleep Medicine Reviews, 2009.

4- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM-5-TR. 2022.

5- Faraone SV, Banaschewski T, Coghill D, et al. The World Federation of ADHD International Consensus Statement: 208 Evidence-based Conclusions about the Disorder. Neuroscience & Biobehavioral Reviews. 2021;128:789-818.

6- Canadian ADHD Practice Guidelines (CADDRA). 5th Edition. 2020.

7- American Psychiatric Association. DSM-5-TR (2022); Canadian ADHD Practice Guidelines – CADDRA (2020); Faraone SV et al. World Federation of ADHD International Consensus Statement. Neurosci Biobehav Rev. 2021.

8- American Psychiatric Association. DSM-5-TR (2022); Faraone SV et al. World Federation of ADHD International Consensus Statement. Neurosci Biobehav Rev. 2021.

9- Young S, Adamo N, Ásgeirsdóttir BB, et al. Females with ADHD: An Expert Consensus Statement. BMC Psychiatry. 2020.

10- Antshel KM, Russo N. Autism Spectrum Disorders and ADHD: Overlapping Phenomenology, Diagnostic Issues, and Treatment Considerations. Curr Psychiatry Rep. 2019.

11- Canadian ADHD Practice Guidelines – CADDRA (2020); Faraone SV et al. World Federation of ADHD International Consensus Statement. Neurosci Biobehav Rev. 2021; National Institute for Health and Care Excellence (NICE). ADHD Guideline NG87. 2018.

 
 
 

Comentários


logo_retangular-v1_transp_bordo.png

Agendamentos

(61) 9998-19991

Horário de atendimento:

Segundas às Sextas

8:00Hs até 18:00Hs

Endereço

Integrale Hub de Saúde. SHLN CONJ 1 Lote 09

Edificio Biosphere, Bloco A, Salas 415/417

Asa Norte, Brasília - DF, 70770-560

 2025 @Dra. Nathália Arruda | Todos os direitos reservados

bottom of page
AW-11173173277