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O que seu Psiquiatra gostaria que vocĂȘ soubesse sobre TDAH

Atualizado: 8 de fev.


Quais os sinais de desatenção?

A desatenção manifesta-se com divagação na hora de conversar ou realizar tarefas, falta de persistĂȘncia, iniciando vĂĄrias atividades e abandonando-as antes de concluir, dificuldade de manter o foco naquilo que estĂĄ fazendo, frequente distração com os estĂ­mulos externos do ambiente ou com os prĂłprios pensamentos, desorganização e perda de objetos com facilidade.

Ela nĂŁo Ă© uma consequĂȘncia da falta de compreensĂŁo do que deve ser dito ou feito, a pessoa nĂŁo consegue fazer o que Ă© esperado por causa da falta de foco na atenção e nĂŁo pela dificuldade de aprendizagem.


Quais os sinais de hiperatividade?

Hiperatividade refere-se a atividade motora excessiva quando nĂŁo apropriado, como remexer-se muito, correr de um lado para o outro, subir e descer escadas com frequĂȘncia aumentada, batucar e conversar em excesso quando nĂŁo Ă© apropriado para ambiente. Pode se manifestar tambĂ©m como inquietude extrema ou esgotamento do outro com sua atividade.


Quais os sinais de impulsividade?

Impulsividade refere-se a açÔes precipitadas que ocorrem no momento, sem premeditação e com elevado risco de causar danos para a pessoa. Ou seja, a pessoa age sem pensar nas consequĂȘncias de seus atos. Pode ser reflexo de um desejo de recompensa imediata ou incapacidade de postergar a gratificação. Podem se manifestar com intromissĂ”es recorrentes, cortar outras pessoas quando estĂŁo falando, uso abusivo de ĂĄlcool e drogas ilĂ­citas, excesso de multas no trĂąnsito, envolvimento em brigas e discussĂ”es e/ou tomada de decisĂ”es importantes sem consideraçÔes acerca das consequĂȘncias no longo prazo.


Curiosidades sobre o TDAH:

O TDAH começa na infĂąncia e vĂĄrios sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos de idade. ManifestaçÔes do transtorno devem estar presentes em mais de um ambiente, como escola, casa e trabalho. O diagnĂłstico preciso envolve a consulta de outras pessoas que tenham visto o indivĂ­duo em tais ambientes. É comum os sintomas variarem conforme o contexto. Sinais do transtorno podem ser mĂ­nimos quando a pessoa estĂĄ recebendo uma recompensa pelo comportamento apropriado, estĂĄ sob supervisĂŁo, estĂĄ em uma situação nova, estĂĄ envolvido em situaçÔes especialmente interessantes ou estĂĄ interagindo em situaçÔes individualizadas como durante uma consulta.


Quanto custa nĂŁo tratar o TDAH?

O TDAH nĂŁo tratado estĂĄ associado ao baixo desempenho escolar e sucesso acadĂȘmico reduzido, rejeição social, pior desempenho, sucesso e assiduidade no trabalho, maior probabilidade de desemprego, conflitos interpessoais, acidentes e violaçÔes de trĂąnsito. A dificuldade de manter o esforço prolongado nas atividades diĂĄrias faz com que muitas vezes a pessoa seja vista como preguiçosa e irresponsĂĄvel.


TDAH pode causar CompulsĂŁo Alimentar?

Essa Ă© uma pergunta muito comum — e faz sentido. Muitas pessoas com TDAH percebem uma relação difĂ­cil com a comida e acabam se perguntando se uma coisa tem a ver com a outra.

A resposta curta Ă©: pode ter relação, sim — mas nĂŁo Ă© regra.

O TDAH nĂŁo causa compulsĂŁo alimentar de forma direta. PorĂ©m, algumas caracterĂ­sticas do transtorno podem aumentar o risco de episĂłdios de comer em excesso. Uma delas Ă© a impulsividade: a pessoa come sem planejar, sem perceber a quantidade ou mesmo sem estar com fome. Outra Ă© a busca por recompensa. Como o cĂ©rebro do TDAH tende a buscar estĂ­mulos rĂĄpidos de prazer, alimentos — especialmente doces e carboidratos — acabam funcionando como um alĂ­vio imediato.

AlĂ©m disso, muitas pessoas com TDAH tĂȘm dificuldade em manter uma rotina alimentar organizada. Pulam refeiçÔes, comem em horĂĄrios irregulares e, mais tarde, acabam exagerando. Some-se a isso o tĂ©dio, a ansiedade e o estresse, que sĂŁo comuns no dia a dia de quem tem TDAH, e a comida pode virar uma forma de conforto.


CaracterĂ­sticas associadas que apoiam o diagnĂłstico...

Atrasos leves no desenvolvimento linguístico, motor ou social não são específicos do TDAH, embora costumem estar presentes. As características associadas podem incluir baixa tolerùncia às frustraçÔes, irritabilidade ou oscilaçÔes de humor. O desempenho nos estudos e no trabalho costuma estar prejudicado.


ManifestaçÔes do TDAH ao longo da vida...

Muitos pais começam a identificar sinais de hiperatividade quando a criança começa a andar, mas muitas vezes Ă© difĂ­cil diferenciar do comportamento normal, que Ă© muito variĂĄvel antes dos 4 anos de idade. O TDAH costuma ser identificado com mais frequĂȘncia no ensino fundamental, com a falta de foco ficando mais evidente e prejudicial na escola. Muitos indivĂ­duos apresentam piora do curso na adolescĂȘncia, com o desenvolvimento de comportamentos antissociais.

Na maioria das pessoas com TDAH, as manifestaçÔes de hiperatividade motora ficam menos evidentes na adolescĂȘncia e na vida adulta, embora continuem as dificuldades com planejamento de suas atividades, inquietude, desatenção e impulsividade. Boa parte das crianças com TDAH permanece prejudicada na vida adulta.

Na prĂ©-escola, a principal manifestação Ă© a hiperatividade. A desatenção fica mais evidente no ensino fundamental. Na adolescĂȘncia, sinais de hiperatividade sĂŁo menos comuns, podendo limitar-se a comportamento mais irrequieto, inquietude, sensação interna de nervosismo e impaciĂȘncia. Na vida adulta, alĂ©m da desatenção e da inquietude, a impulsividade pode permanecer problemĂĄtica.


É TDAH ou Ansiedade?

O TDAH compartilha o sintoma de desatenção com os transtornos de ansiedade. Pessoas com TDAH são desatentas por causa de sua atração por estímulos externos, atividades novas ou predileção por atividades agradåveis. Isso é diferente da desatenção por preocupação e ruminação encontrada nos transtornos de ansiedade.


Como diferenciar TDAH de um Transtorno EspecĂ­fico da Aprendizagem?

Pessoas com um Transtorno EspecĂ­fico de Aprendizagem nas ĂĄreas da linguagem ou matemĂĄtica, por exemplo, podem parecer desatentas devido a frustração, falta de interesse ou capacidade limitada. A desatenção em pessoas com esse transtorno, mas sem TDAH, nĂŁo acarreta prejuĂ­zos fora dos ambientes acadĂȘmicos. O TDAH, alĂ©m de gerar prejuĂ­zos nos estudos, comumente atrapalha o trabalho, os relacionamentos interpessoais, a organização da rotina e pode desencadear atĂ© problemas com a justiça.


É TDAH ou Autismo?

As duas condiçÔes podem acarretar desatenção, disfunção social e comportamentos difíceis de lidar. As dificuldades de socialização e a rejeição pelos colegas encontradas em pessoas com TDAH devem ser diferenciadas da falta de envolvimento social, do isolamento e da indiferença a pistas de comunicação faciais e tonalidade de voz encontrados em pessoas autistas.

Pessoas com autismo podem ter ataques de raiva devido a incapacidade de tolerar mudanças e a dificuldade de sair do seu padrĂŁo inflexĂ­vel de adesĂŁo a rotinas. Pessoas com TDAH podem se comportar mal ou ter um ataque de fĂșria devido a impulsividade e a dificuldade de controlar seus prĂłprios comportamentos.


TDAH pode ser confundido com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

Sim, os dois transtornos podem parecer semelhantes. Impulsividade, dificuldade em regular emoçÔes, instabilidade nos relacionamentos e reaçÔes intensas fazem parte do quadro de ambos. NĂŁo Ă© raro que adultos com TDAH sejam interpretados como “emocionalmente instĂĄveis”, enquanto pessoas com TPB sejam vistas apenas como “desatentas” ou “impulsivas”.

A diferença estĂĄ no nĂșcleo do problema. No TDAH, as dificuldades giram em torno da atenção, do controle dos impulsos e da organização, com inĂ­cio na infĂąncia. As emoçÔes podem ser intensas, mas costumam ser reativas ao momento. JĂĄ no TPB, o centro do sofrimento estĂĄ na instabilidade emocional profunda, no medo de abandono, na autoimagem frĂĄgil e em relacionamentos marcados por extremos.

Outro ponto importante: os dois podem coexistir. Estudos mostram que uma parcela significativa das pessoas com TPB também apresenta TDAH, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador.


DepressĂŁo causa TDAH?

Depressão não causa TDAH. Pessoas deprimidas podem ter dificuldade de concentração, mas essa queixa fica mais proeminente durante o episódio depressivo. Depois que a depressão melhora, a concentração também deixa de causar tantos prejuízos.


TDAH e sono: por que dormir pode ser tĂŁo difĂ­cil?

Dificuldades com o sono são muito comuns em pessoas com TDAH. Mais do que um problema isolado, o sono ruim costuma estar diretamente ligado às características do transtorno, criando um ciclo em que dormir mal piora os sintomas do TDAH — e o TDAH, por sua vez, atrapalha ainda mais o sono.

Um dos principais fatores Ă© a hiperatividade mental. Muitas pessoas com TDAH relatam que, ao deitar, a mente parece “nĂŁo desligar”, com pensamentos acelerados, ideias aleatĂłrias e preocupaçÔes que dificultam o inĂ­cio do sono. AlĂ©m disso, Ă© comum haver um atraso no ritmo biolĂłgico, fazendo com que a pessoa sinta sono mais tarde do que o esperado socialmente, o que pode gerar privação de sono nos dias de compromisso.

Outro ponto importante Ă© o hiperfoco noturno. À noite, com menos estĂ­mulos externos, atividades como uso de celular, jogos, estudos ou sĂ©ries podem prender a atenção por horas sem que a pessoa perceba o tempo passar. Somam-se a isso a agitação fĂ­sica e a dificuldade de relaxamento, que tornam o momento de dormir ainda mais desafiador.

Em alguns casos, a medicação estimulante usada no tratamento do TDAH também pode interferir no sono, especialmente quando o horårio ou a dosagem não estão bem ajustados. Mesmo quando a quantidade de horas dormidas parece suficiente, o sono pode ser fragmentado e pouco reparador, resultando em cansaço ao longo do dia.


Fatores de risco para TDAH:

Crianças que nascem com muito baixo peso (menos de 1.500 gramas) tem um risco de 2 a 3 vezes maior para TDAH. Embora o TDAH esteja correlacionado a tabagismo na gestação, parte dessa associação reflete um risco genĂ©tico comum. Pode haver histĂłria de abuso infantil, negligĂȘncia, mĂșltiplos lares adotivos, exposição a neurotoxinas (p. ex., chumbo), infecçÔes (p.ex., encefalite) ou exposiçÔes ao ĂĄlcool no Ăștero.

O TDAH é frequente em parentes biológicos de primeiro grau com o transtorno. A herdabilidade genética é substancial. PadrÔes de interação familiar disfuncional provavelmente não causam TDAH, mas podem influenciar seu curso ou contribuir para o desenvolvimento secundårio de problemas de conduta.


Como Ă© o tratamento do TDAH?

O tratamento do TDAH Ă© realizado com medicaçÔes psicoestimulantes, tais como Ritalina e Venvanse. Outras medicaçÔes utilizadas no tratamento sĂŁo Bupropiona e Atomoxetina (Atentah). A escolha da medicação, pelo profissional de saĂșde, vai depender do perfil de sintomas e tolerĂąncia do paciente, bem como a presença ou nĂŁo de comorbidades clĂ­nicas (cardiopatias, arritmias, epilepsia, hipertensĂŁo arterial, e outras) e psiquiĂĄtrica (ansiedade, tiques, e outras). Converse com seu psiquiatra sobre isso.


O que Ă© o Metilfenidato (Ritalina)?

Metilfenidato Ă© um estimulante do Sistema Nervoso Central. Ele inibe a recaptação de dopamina e da noradrenalina, aumentando a concentração desses neurotransmissores na fenda sinĂĄptica. TambĂ©m Ă© um liberador de dopamina dos neurĂŽnios prĂ©-sinĂĄpticos, mecanismo que o diferencia dos antidepressivos em termos de rapidez do inĂ­cio dos efeitos e de potĂȘncia de ação. O seu efeito Ă© percebido de 15 a 30 minutos apĂłs a ingestĂŁo, e seu pico plasmĂĄtico ocorre em torno de 2 horas depois. Sua meia-vida Ă© de 3 horas, mas o efeito costuma durar ao redor de 4 horas.

É uma das principais medicaçÔes usadas para o tratamento do TDAH/TDA, com o efeito dose-dependente, mas doses mais altas estĂŁo mais associadas a efeitos colaterais e interrupção do tratamento. Durante a titulação, as doses devem ser gradualmente aumentadas atĂ© que nĂŁo haja mais melhora clĂ­nica do TDAH, tendo o cuidado para que os efeitos colaterais mantenham-se tolerĂĄveis. O medicamento deve ser descontinuado se nĂŁo houver melhora apĂłs 1 mĂȘs de uso.

Recomenda-se administrar a Ășltima dose atĂ© as 18 horas, para evitar insĂŽnia. Na ausĂȘncia desse efeito colateral, o uso da medicação deve ser feito conforme a necessidade do paciente. Em adultos nĂŁo Ă© raro ter que usar essa medicação apĂłs as 18 horas, e hĂĄ estudos evidenciando que muitas vezes ocorre a melhora do sono em pacientes com TDAH.


Como funciona o Metilfenidato de liberação prolongada (Ritalina LA e Concerta)?

FormulaçÔes de liberação prolongada tĂȘm mostrado eficĂĄcia similar as do metilfenidato de liberação imediata. Essas formulaçÔes sĂŁo usadas em dose Ășnica diĂĄria, o que favorece a adesĂŁo terapĂȘutica.

O Concerta utiliza o sistema OROS, que foi desenvolvido para que uma Ășnica administração pela manhĂŁ liberasse o metilfenidato em 2 fases: uma inicial, de liberação imediata (cerca de 22% do medicamento), a partir do revestimento externo do comprimido, proporcionando rĂĄpida concentração plasmĂĄtica, seguida por liberação osmoticamente controlada, a partir do nĂșcleo do comprimido, que Ă© lentamente liberado durante 12 horas. O comprimido de Concerta nĂŁo deve ser mastigado, dividido ou amassado.

A Ritalina LA utiliza o sistema SODAS, que permite que 50% do medicamento (formulados como grĂąnulos de liberação imediata) seja logo liberado por esse meio, fornecendo um rĂĄpido inĂ­cio de ação, e que os 50% restantes sejam liberados 4 horas depois da tomada, possibilitando uma Ășnica tomada diĂĄria.


Efeitos colaterais mais comuns do Metilfenidato (Ritalina. Ritalina LA e Concerta):

  • Boca seca

  • Diminuição do apetite

  • Nervosismo

  • Dor de cabeça

  • OscilaçÔes de humor

  • Tristeza

  • Perda de peso

  • InsĂŽnia

  • Aumento da frequĂȘncia cardĂ­aca

  • Tonturas

  • NĂĄuseas

  • Agitação


Como funciona a Lisdexanfetamina (Venvanse)?

Venvanse Ă© um prĂł-fĂĄrmaco pertencente Ă s classes das fenetilaminas e anfetaminas. Seu efeito terapĂȘutico ocorre pela ação da dextroanfetamina, uma amina simpaticomimĂ©tica com atividade estimulante. Seu mecanismo de ação ocorre pelo bloqueio da recaptação de noradrenalina e dopamina no neurĂŽnio prĂ©-sinĂĄptico, estimulando a liberação dessas substĂąncias na sinapse.

Foi desenvolvido com o objetivo de ser um estimulante de ação prolongada com menor potencial de abuso. O mecanismo farmacocinético, por meio de hidrólise com taxa de liberação constante da molécula ativa, faz o potencial para abuso ser menor do que a administração direta da molécula ativa.

É rapidamente absorvido quando tomado por via oral e apresenta seu pico de ação em torno de 3,5 horas. Seu efeito terapĂȘutico tem duração mĂ©dia de 12 horas. O Venvanse Ă© aprovado para o tratamento de TDAH e transtorno de compulsĂŁo alimentar. Deve ser tomado 1 vez ao dia, preferencialmente pela manhĂŁ, para se obter o benefĂ­cio da medicação durante o dia e evitar a possĂ­vel ocorrĂȘncia de insĂŽnia Ă  noite.


Efeitos colaterais mais comuns do Venvanse:

  • Diminuição do apetite

  • InsĂŽnia

  • Boca seca

  • Dor de cabeça

  • Irritabilidade


Como funciona a Atomoxetina (Atentah)?

A atomoxetina é um inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina pré-sinåptico, aumentando os níveis dessa substùncia no córtex frontal, podendo melhorar a função cognitiva no TDAH.


Efeitos colaterais mais comuns do Atentah:

  • Dispepsia

  • NĂĄusea

  • VĂŽmito

  • Dor abdominal

  • Dor de cabeça

  • Fadiga

  • Diminuição do apetite

  • Tontura

  • OscilaçÔes de humor


ReferĂȘncias BibliogrĂĄficas:

1- Manual diagnĂłstico e estatĂ­stico de transtornos mentais: DSM-5 / American Psychiatric Association; tradução: Maria InĂȘs CorrĂȘa Nascimento... et. al.- 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

2- PsicofĂĄrmacos: consulta rĂĄpida/Organizadores, Aristides Volpato Cordioli, Carolina Benedetto Gallois, Luciano Isolan. -5.ed.-Porto Alegre:Artmed,2015.

3- Cortese, S. et al. Sleep and ADHD: A systematic review of the literature. Sleep Medicine Reviews, 2009.

 
 
 
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